Sábado, Agosto 18, 2007



Ana
viviane mosé

Ela era linda. Tinha os olhos saltados e a boca rasgada como uma fenda. Macia e profunda. Seus cabelos negros reluziam em sua pele branca. Ela era linda e mesmo pequena ocupava todos os espaços. Reinava como um rapaz afeminado. Um pássaro molhado. Um tigre. Um grande tigre ou dragão. Doce como o mel dos gozos era frágil como os poetas. E triste. Profundamente triste apesar da alegria rubra que escorria pelo eterno sorriso felino. Ela era grande. Grande como são as estrelas. E até podia ser feia e era. Mas erguia as mãos quando fumava e os dedos caídos pediam aos deuses um espaço no Olimpo. Seus gestos diziam tanto que mesmo sem o maior encanto embriagava os homens. E assustava as mulheres. Umas lhe rendiam homenagens enquanto outras faziam vodu e pregavam alfinetes em seu peito miúdo. Ela era linda e tão linda que um dia caiu de bruços e um brutamontes lhe comeu o cu.


Descatraquizado às 21:54

Terça-feira, Agosto 14, 2007

A Síndrome do Herói
quarta parte
Fuga

Eu estava com muito sono para saber como cheguei na praia naquele dia com a Ana.De algum modo, chegamos em Santos.A paisagem disfarçava um pouco o óleo que boiava pelo mar."Hoje o mar está multicolorido" pensei.
Ana pulava de alegria e soltava aqueles gritinhos todo momento em que a água gelada tocava em seus pés.O céu estava azul e era um dia frio de junho.A praia estava vazia, suja e triste naquela manhã.Era um dos dias mais lindos da vida dela.
- Fazia muito tempo que eu não via o mar. - dizia.
Ela caiu na água o mais rápido que pôde, de jeans e tudo, ignorando todo aquele óleo, garrafas e sacolinhas que boiavam ao seu redor.Eu não conseguia permanecer no mar por mais de quinze minutos por causa do frio e fiquei a maior parte do tempo do lado de fora, sem pensar em absolutamente nada, apenas observando-a nadar e brincar com areia.Nem imaginei que uma manhã pacata como aquela pudesse mudar minha vida.Nem passou pela minha cabeça que eu estava cometendo um crime.

continua

[...]

Bruce Lee em :
Atendente de Telemarketing



...yeauoooooooooooooooooooooooo...


Descatraquizado às 17:13

Sexta-feira, Agosto 10, 2007

Não existem homossexuais

Acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada


NÃO CONHEÇO homossexuais. Nem um para mostrar. Amigos meus dizem que existem. Outros dizem que são. Eu coço a cabeça e investigo: dois olhos, duas mãos, duas pernas. Um ser humano como outro qualquer. Mas eles recusam pertencer ao único gênero que interessa, o humano. E falam do "homossexual" como algumas crianças falam de fadas ou duendes. Mas os homossexuais existem?
A desconfiança deve ser atribuída a um insuspeito na matéria. Falo de Gore Vidal, que roubou o conceito a outro, Tennessee Williams: "homossexual" é adjetivo, não substantivo. Concordo, subscrevo. Não existe o "homossexual". Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha cama. Aberrante, não?
Uns anos atrás, aliás, comprei brigas feias na imprensa portuguesa por afirmar o óbvio: ter orgulho da sexualidade é como ter orgulho da cor da pele. Ilógico. Se a orientação sexual é um fato tão natural como a pigmentação dermatológica, não há nada de que ter orgulho. Podemos sentir orgulho da carreira que fomos construindo: do livro que escrevemos, da música que compusemos. O orgulho pressupõe mérito. E o mérito pressupõe escolha. Na sexualidade, não há escolha.
Infelizmente, o mundo não concorda. Os homossexuais existem e, mais, existe uma forma de vida gay com sua literatura, sua arte. Seu cinema. O Festival de Veneza, por exemplo, pretende instituir um Leão Queer para o melhor filme gay em concurso. Não é caso único. Berlim já tem um prêmio semelhante há duas décadas. É o Teddy Award.
Estranho. Olhando para a história da arte ocidental, é possível divisar obras que versaram sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo.
A arte greco-latina surge dominada por essa pulsão homoerótica. Mas só um analfabeto fala em "arte grega gay" ou "arte romana gay". E desconfio que o imperador Adriano se sentiria abismado se as estátuas de Antínoo, que mandou espalhar por Roma, fossem classificadas como exemplares de "estatuária gay". A arte não tem gênero. Tem talento ou falta de.
E, já agora, tem bom senso ou falta de. Definir uma obra de arte pela orientação sexual dos personagens retratados não é apenas um caso de filistinismo cultural. É encerrar um quadro, um livro ou um filme no gueto ideológico das patrulhas. Exatamente como acontece com as próprias patrulhas, que transformam um fato natural em programa de exclusão. De auto-exclusão.
Eu, se fosse "homossexual", sentiria certa ofensa se reduzissem a minha personalidade à inclinação (simbólica) do meu pênis. Mas eu prometo perguntar a um "homossexual" verdadeiro o que ele pensa sobre o assunto, caso eu consiga encontrar um no planeta Terra.

Por: JOÃO PEREIRA COUTINHO
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0808200710.htm

[----]

Bom, a Mixirica Mutante, Camila Goes, me convidou semana passada para fazer parte da tal corrente de escolher as cinco melhores capas da play boy de todos os tempos...aí vai as minhas escolhidas e o motivo da escolha.Aliás, não coloquei o mês e o ano do lado por que tive preguiça, aí vai :

A que melhor representa o Brasil.Atual até os dias de hoje, nos mostra o que realmente nosso país é.


Pq alguém tinha que tomar uma providencia a respeito do caos aéreo.


Pq nessa época a Vera Fisher mexia o pescoço.


Pq o índio brasileiro nunca foi tão bem representado.


Pq a Sandy tinha que fazer alguma coisa da vida depois de ter se separado do Junior.


fonte : Perguntas Cretinas - Capas Playboy 1975 - 2006

enfim, como a maioria dos meus parceiros abandonou o próprio blog, e por algum motivo inexplicável não estou conseguindo abrir nenhum blogspot, só sobrou uma pessoa pra passar adiante a corrente, aí vai :

http://transbordar.blogspirit.com/

^o^


Descatraquizado às 00:56

Segunda-feira, Agosto 06, 2007

A Síndrome do Herói
terceira parte
Madrugada em Jandira

Tudo continuou razoavelmente normal.Os finais de semana foram passando com suas quermesses de bebedeiras homéricas, marcas de vômito e garotas estranhas, tudo aquilo que chamávamos de diversão.E foi justamente numa dessas quermesses que a conheci.Ela era um fantasma.
Seu nome poderia ser Marla, se me perguntassem.
Naquela quinta, resolvemos dar um pulinho na quermesse de Jandira, uma das maiores daqui de São Paulo.Acontece, que era perto do nosso serviço, mas longe da nossa casa.Pegamos o fretado ás dez e vinte, descemos em Jandira uns quinze minutos depois e precisaríamos sair de lá e ir para estação antes da meia noite, caso contrário, não haveria mais nenhum tipo de transporte publico até as quatro da manhã.Tínhamos poucas horas para se divertir, beber e conhecer algumas meninas, tudo estava planejado, nada podia sair errado se saíssemos de lá onze e quarenta e cinco.Saímos de lá 00:15.
Corremos o máximo que pudemos para a estação, e nos desejamos boa sorte.O meu colega Tony que estava comigo iria de ônibus e eu tinha que pular a estação o mais rápido possível, então, nem deu tempo pra olhar se tinha segurança ou não, em um único salto fui arremessado num chão cheio de pedras quadriculares.Corri o bastante para subir da mesma forma a plataforma vazia.Uns garotos skatistas apareceram por lá depois de uns minutos.E foi a única companhia que eu tive até as 1:00 da manha, quando Tony apareceu desapontado dizendo "Acabou os ônibus, mano."
Foi então que eu comecei a ficar preocupado.Meu corpo doía em lugares que eu nem sabia que sentia dor, estava desde cedo na rua.E tbm, estava com uns cinqüenta reais na carteira, que eu não gostaria de ser tomado caso encontrasse com pessoas de má intenção.Meia hora se passou e nada de trem ou outra alma viva na estação, a não ser os skatistas Tony e eu.Até que um trem veio vindo no outro lado da estação, indo sentido Itapevi.Completamente vazio.
Tivemos então eu tive uma brilhante idéia.Levantei do banco em que estava sentado, e qnd o trem fechou as portas, fikei em pé na beirada segurando em cima.Tony fez o a mesma coisa, e nos entreolhavamos rindo.
"Você tem coragem ?"
O trem começou a andar, devagarinho e foi ganhando velocidade até atingir o final da plataforma.Aí eu saltei e me esborrachei todo no chão.Ali deitado, vi Tony indo embora junto com o trem que estava indo para direção contrária da que precisávamos ir.
Fiquei ali parado perplexo.Agora estava cansado, mais dolorido ainda e sozinho na madrugada, em um lugar desconhecido e extremamente longe de casa.Não podia piorar.Até que me levanto e vejo um guarda ferroviário correndo em minha direção :
- Ei, não vai ter mais trem até as 4:30 da manhã.
Dei um grande suspiro e me atirei nos trilhos.Tinha que caminhar até a próxima estação, e com sorte, encontrar o Tony.Claro que ele não estava lá na estação.Aí eu pensei "Puxa, se eu fosse ele, eu voltaria pra estação que eu estava.", e voltei, dessa vez pela rua.
Na minha frente, na calçada estava um casal sendo seguido por um cara que aparentava estar drogado ou bêbado, pedindo ajuda.A mulher estava muito assustada, então o cara deu um empurrão e ameaçou bater no cara se ele não parasse de os seguir, assim como costumamos fazer com um cachorro.Eu me aproximei, então ele veio me dizendo:
- Mano, me ajuda...
- O que aconteceu cara, vc ta todo ensangüentado !
- Me traíram mano, meu amigo me traiu...eu sai com um grupo de pessoas aí, e eles não foram com minha cara, não sei por que, e me bateram...me ajuda a ligar pra minha irmã vir me buscar, quero chegar em casa mano, me ajuda.....
- Claro, vamos ali na estação que eu preciso achar meu amigo, aí agente da um jeito de ligar pra sua irmã.
O cara era um gayzinho de uns vinte e poucos anos.Fui com ele na estação e é claro que o Tony não estava lá.
Tentamos ligar pra tal irmã do cara, e o cara me passou uns vinte números errados, até o Tony aparecer.
- Onde vc tava mano ?
- Onde tava você ?
- Ahh,foda-se, acabou os trens e vamo ter q ficar aqui até as 4:30 mano, tamo fudido....ah,esse é um cara aí que levou uma surra...
- Por que vc apanhou mano...?
E o cara começou a contar toda aquela historia sobre traição, e não sei pq, eu comecei a rir enquanto ele contava a historia...
- Do que vc ta riiiindo ? Me achou engraçado ? Não preciso que vc ache engraçado, to pedindo ajuda... - disse ele todo nervozinho.
- Não, não é isso...- tentei me desculpar engolindo o riso.
- Olha, não preciso da sua ajuda, não preciso de ninguém...tchau ! Mas tem uma coisa...hj sou eu, amanhã pode ser você....- e saiu com o narizinho empinado.
Claro que eu queria ajudar ele no que quer que fosse, e faria de tudo pra não deixar ele na rua daquele jeito sozinho.Mas eu não tenho cabeça pra tratar de gente arrogante, sem contar que eu não estava aguentando aquele jeito dele falar, aquele jeito de balançar com a mão e de enrolar pra contar o que realmente tinha acontecido com ele.Claro que eu não me importava com o q ele tinha feito naquela noite.Mas isso tornava tudo aquilo meio engraçado.E patético.
- Acho que a brisa dele passou...bem, foda-se...vamos voltar pra Jandira e ver se tem alguém na rua ?

E fomos.Claro que não tinha ninguém.Já era tarde, resolvi tirar um cochilo numa praça enquanto Tony ficou mechendo no celular.Já devia ser mais de 3:30 quando apareceu um cara que parecia ser um guardinha ou coisa assim e nos mandou sair fora dali...Andamos sem rumo até voltarmos pra estação de Jandira, onde o pessoal do terminal de ônibus se preparava pra começar a trabalhar.Foi quando eu a vi.Ela estava sentada perto de uma mulher que vendia bolo, café e essas coisas.Nos aproximamos pelo cheiro da comida que estava se tornando irresistível tamanha nossa fome.E o vapor que saia do bule de café era mais irresistível ainda, estávamos morrendo de frio.
- Você tem um cigarro ?
- Hã ?
- É, vc amigo, tem um cigarro ?
Era uma garota com uma pele branca e cabelos pretos, com boné da BMW e um blusão.Seu nome era Ana.Ana Verônica.Podia ser Marla se me perguntassem.
- Não tenho cigarro, na verdade, preciso de um agora mesmo... - respondi.
- Ahh... o que vcs estão fazendo por aí numa hora dessas...?
Tony contou a nossa historia.
- E vc ? - perguntei.
- Estou indo trabalhar...
- Ahh...
Comemos uns dez pães-de-queijo e ganhamos café como cortesia da casa, e ficamos ali conversando sobre qm tinha sido baleado naquele semana, até abrirem a estação.E fomos todos, caminhando até a próxima estação, onde era mais fácil de pular.Eu Tony e Verônica.
No caminho ela contou sua historia.Estava fugindo de casa, tinha 16 anos.Queria ir fazendo baldeação até onde desse.Não voltaria nunca mais.
- Por que vc esta fugindo ? - perguntamos.
-É uma longa historia...
-Não importa o que tenha acontecido, Ana, o que importa é que é muita ingenuidade sua achar que vai conseguir se virar por aí sozinha, porra, vc é uma menina ainda...
-Não há nada que me convença a voltar.
-Eu tento no caminho pra praia.
-O que ?
- Isso mesmo, nós vamos pra praia.Eu to de saco cheio do serviço, de tudo...preciso cair fora...vcs vem comigo ? - perguntei.
- Você tem coragem ? - perguntaram em uníssono, enquanto pensavam no que fazer.

Ana não tinha pra onde ir, então resolver embarcar comigo.Tony ficou em dúvida, mas acabou indo pra casa ter um resto de noite confortável.
E eu caí fora.


...continua...


Descatraquizado às 19:28

Layout plagied by Oddie
hastalavistababy69@hotmail.com
OddieaoLeite© é de propriedade exclusiva da Piauí Corporeitions
todos nossos movimentos são friamente calculados
(site melhor visualizado com os olhos)

Alíson, 19 anos
Osasco, SP.
Prefere cheirar fumaça de óleo diesel e se embriagar até que alguém o esqueça.



tecle F5 para mudar as imagens do template

Meu:
[Flog]
[Orkut]
[Passado]

Links:
[Transbordar]
[Love_transfer]
[These Days]
[Eme de Mari]
[Mixirica Mutante]
[Agora que passei...]
[Blog da Mary]
[Prozac MilkShake]
[Doce Vômito]
[Concurso Ctrl+C]
[Oddie ao Leite]








Lendo :











Oddie: definido por Garfield como "uma língua com olhos e patas".

ao: artigo definido (dativo).

Leite: formado por água, uma proteína principal, a caseína, uma gordura específica, a butirina e um açúcar também específico, a lactose.




















































Eu sou o garoto que se masturba
na montanha
Eu sou a orgia com o
garoto loiro & sua namorada
de vagina colorida
Eu sou uma metralhadora em
estado de Graça
Eu sou a pomba-gira do Absoluto

Weblog Commenting and Trackback by 

HaloScan.com