Segunda-feira, Maio 21, 2007

CAOS
Hakim Bey


O CAOS NUNCA MORREU. Bloco intacto & primordial, único monstro digno de adoração, inerte & espontâneo, mais ultravioleta do que qualquer mitologia (como as sombras anteriores à Babilônia), a original & indiferenciada unidade-do-ser ainda resplandece, imperturbável como as flâmulas negras frenética & perpetuamente embriagadas dos Assassinos.

O caos é anterior a todos os princípios de ordem & entropia, não é nem um deus nem uma larva, seu desejos primais englobam & definem todas coreografia possível, todos éteres & flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua própria ausência de rosto.

Tudo na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas nunca existiram. Demônios nunca vigiaram as estrales, o Império nunca começou, Eros nunca deixou a barba crescer.

Não. Ouça, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe idéias de bem & mal, infundiram-lhe a desconfiança de seu próprio corpo & a vergonha pela sua condição de profeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor molecular, hipnotizaram-no com a falta de atenção, entediaram-no com a civilização & todas as suas emoções mesquinhas.

Não há transformação, revolução, luta, caminho. Você já é o monarca de sua própria pele ¿ sua liberdade inviolável espera ser completa apenas pelo amor de outros monarcas: uma política de sonho, urgente como o azul do céu.

Para lograr abrir mão de todos os acentos & hesitações ilusória da história, é preciso evocar a economia de uma Idade da Pedra lendária ¿ xamâs & não padres, bardos & não senhores, caçadores & não policiais, coletores paleoliticamente preguiçosos, gentis como sangue, que ficam nus para simbolizar algo ou se pintam como pássaros, equilibrados sobre a onda da presença explícita, o agora-sempre atemporal.

Agentes do caos lançam olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar ser testemunha de sua condição, sua febre por lux et voluptas. Estou desperto apenas no que amo & até o limite do terror ¿ todo o resto é apenas mobília coberta, anestesia diária, merda para cérebros, tédio sub-réptil de regimes totalitários, censura banal & dor desnecessária.

Avatares do caos agem com espiões, sabotadores, criminosos do amor louco, nem generosos nem generosos nem egoístas, acessíveis como crianças, semelhantes a bárbaros, perseguidos por obsessões, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terríveis, espelhos para a contemplação, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos & sentidos.

Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entres as paredes da Igreja, do Estado, da Escola & da Empresa, todos os monolitos paranóicos. Arrancados da tribo pela nostalgia selvagem, escavamos em busca de mundos perdidos, bombas imaginárias.

A última proeza possível é aquela que define a própria percepção, um invisível cordão de ouro que nos conecta: dança ilegal pelos corredores do tribunal. Seu eu fosse beijar você aqui, chamariam isso de um ato de terrorismo ¿ então vamos levar nossos revólveres para a cama & acordar a cidade à meia-noite como bandidos bêbados celebrando a mensagem do sabor do caos com um tiroteio.

Tradução de Patricia Decia & Renato Resende presente em CAOS


Descatraquizado às 11:24

Segunda-feira, Maio 14, 2007



quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?

o tempo andou riscando meu rosto

com uma navalha fina



sem raiva nem rancor

o tempo riscou meu rosto

com calma



(eu parei de lutar contra o tempo

ando exercendo instantes

acho que ganhei presença)





acho que a vida anda passando a mão em mim.

a vida anda passando a mão em mim.

acho que a vida anda passando.

a vida anda passando.

acho que a vida anda.

a vida anda em mim.

acho que há vida em mim.

a vida em mim anda passando.

acho que a vida anda passando a mão em mim





___________e por falar em sexo quem anda me comendo

é o tempo

na verdade faz tempo mas eu escondia

porque ele me pegava à força e por trás



um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo

se você tem que me comer

que seja com o meu consentimento

e me olhando nos olhos



acho que ganhei o tempo

de lá pra cá ele tem sido bom comigo

dizem que ando até remoçando



Viviane Mosé


Descatraquizado às 11:28

Layout plagied by Oddie
hastalavistababy69@hotmail.com
OddieaoLeite© é de propriedade exclusiva da Piauí Corporeitions
todos nossos movimentos são friamente calculados
(site melhor visualizado com os olhos)

...uma gente que ri quando deve chorar, e não vive, apenas agüenta...


tecle F5 para mudar as imagens do template

Meu:
[Flog]
[Orkut]
[Passado]

Links:
[Punks tbm amam]
[These Days]
[Eme de Mari]
[Besteiras da vida]
[Dona Candy]
[Agora que passei...]
[Blog da Mary]
[Prozac MilkShake]
[Doce Vômito]
[Concurso Ctrl+C]
[Oddie ao Leite]











Lendo :




Filme da Semana :


Ler Sinopse









Oddie: definido por Garfield como "uma língua com olhos e patas".

ao: artigo definido (dativo).

Leite: formado por água, uma proteína principal, a caseína, uma gordura específica, a butirina e um açúcar também específico, a lactose.



















































O tempo passa.
O tempo por aqui passou.

Weblog Commenting and Trackback by 

HaloScan.com