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Domingo, Abril 29, 2007
O ex-mágico da Taberna Minhota
Murilo Rubião
Inclina, Senhor, o teu ouvido, e ouve-me;
porque eu sou desvalido e pobre.
(Salmos. LXXXV, I)
Hoje sou funcionário público e este não é o meu desconsolo maior.
Na verdade, eu não estava preparado para o sofrimento. Todo homem, ao atingir certa idade, pode perfeitamente enfrentar a avalanche do tédio e da amargura, pois desde a meninice acostumou-se às vicissitudes, através de um processo lento e gradativo de dissabores.
Tal não aconteceu comigo. Fui atirado à vida sem pais, infância ou juventude.
Um dia dei com os meus cabelos ligeiramente grisalhos, no espelho da Taberna Minhota. A descoberta não me espantou e tampouco me surpreendi ao retirar do bolso o dono do restaurante. Ele sim, perplexo, me perguntou como podia ter feito aquilo.
O que poderia responder, nessa situação, uma pessoa que não encontrava a menor explicação para sua presença no mundo? Disse-lhe que estava cansado. Nascera cansado e entediado.
Sem meditar na resposta, ou fazer outras perguntas, ofereceu-me emprego e passei daquele momento em diante a divertir a freguesia da casa com os meus passes mágicos.
O homem, entretanto, não gostou da minha prática de oferecer aos espectadores almoços gratuitos, que eu extraía misteriosamente de dentro do paletó. Considerando não ser dos melhores negócios aumentar o número de fregueses sem o conseqüente acréscimo nos lucros, apresentou-me ao empresário do Circo-Parque Andaluz, que, posto a par das minhas habilidades, propôs contratar-me. Antes, porém, aconselhou-o que se prevenisse contra os meus truques, pois ninguém estranharia se me ocorresse a idéia de distribuir ingressos graciosos para os espetáculos.
Contrariando as previsões pessimistas do primeiro patrão, o meu comportamento foi exemplar. As minhas apresentações em público não só empolgaram multidões como deram fabulosos lucros aos donos da companhia.
A platéia, em geral, me recebia com frieza, talvez por não me exibir de casaca e cartola. Mas quando, sem querer, começava a extrair do chapéu coelhos, cobras, lagartos, os assistentes vibravam. Sobretudo no último número, em que eu fazia surgir, por entre os dedos, um jacaré. Em seguida, comprimindo o animal pelas extremidades, transformava-o numa sanfona. E encerrava o espetáculo tocando o Hino Nacional da Cochinchina. Os aplausos estrugiam de todos os lados, sob o meu olhar distante.
O gerente do circo, a me espreitar de longe, danava-se com a minha indiferença pelas palmas da assistência. Notadamente se elas partiam das criancinhas que me iam aplaudir nas matinês de domingo. Por que me emocionar, se não me causavam pena aqueles rostos inocentes, destinados a passar pelos sofrimentos que acompanham o amadurecimento do homem? Muito menos me ocorria odiá-las por terem tudo que ambicionei e não tive: um nascimento e um passado.
Com o crescimento da popularidade a minha vida tornou-se insuportável.
Às vezes, sentado em algum café, a olhar cismativamente o povo desfilando na calçada, arrancava do bolso pombos, gaivotas, maritacas. As pessoas que se encontravam nas imediações, julgando intencional o meu gesto, rompiam em estridentes gargalhadas. Eu olhava melancólico para o chão e resmungava contra o mundo e os pássaros.
Se, distraído, abria as mãos, delas escorregavam esquisitos objetos. A ponto de me surpreender, certa vez, puxando da manga da camisa uma figura, depois outra. Por fim, estava rodeado de figuras estranhas, sem saber que destino lhes dar.
Nada fazia. Olhava para os lados e implorava com os olhos por um socorro que não poderia vir de parte alguma.
Situação cruciante.
Quase sempre, ao tirar o lenço para assoar o nariz, provocava o assombro dos que estavam próximos, sacando um lençol do bolso. Se mexia na gola do paletó, logo aparecia um urubu. Em outras ocasiões, indo amarrar o cordão do sapato, das minhas calças deslizavam cobras. Mulheres e crianças gritavam. Vinham guardas, ajuntavam-se curiosos, um escândalo. Tinha de comparecer à delegacia e ouvir pacientemente da autoridade policial ser proibido soltar serpentes nas vias públicas.
Não protestava. Tímido e humilde mencionava a minha condição de mágico, reafirmando o propósito de não molestar ninguém.
Também, à noite, em meio a um sono tranqüilo, costumava acordar sobressaltado: era um pássaro ruidoso que batera as asas ao sair do meu ouvido.
Numa dessas vezes, irritado, disposto a nunca mais fazer mágicas, mutilei as mãos. Não adiantou. Ao primeiro movimento que fiz, elas reapareceram novas e perfeitas nas pontas dos tocos de braço. Acontecimento de desesperar qualquer pessoa, principalmente um mágico enfastiado do ofício.
Urgia encontrar solução para o meu desespero. Pensando bem, concluí que somente a morte poria termo ao meu desconsolo.
Firme no propósito, tirei dos bolsos uma dúzia de leões e, cruzando os braços, aguardei o momento em que seria devorado por eles. Nenhum mal me fizeram. Rodearam-me, farejaram minhas roupas, olharam a paisagem, e se foram.
Na manhã seguinte regressaram e se puseram, acintosos, diante de mim.
"O que desejam, estúpidos animais?!" gritei, indignado.
Sacudiram com tristeza as jubas e imploraram-me que os fizesse desaparecer:
"Este mundo é tremendamente tedioso" concluíram.
Não consegui refrear a raiva. Matei-os todos e me pus a devorá-los. Esperava morrer, vítima de fatal indigestão.
Sofrimento dos sofrimentos! Tive imensa dor de barriga e continuei a viver.
O fracasso da tentativa multiplicou minha frustração. Afastei-me da zona urbana e busquei a serra. Ao alcançar seu ponto mais alto, que dominava escuro abismo, abandonei o corpo ao espaço.
Senti apenas uma leve sensação da vizinhança da morte: logo me vi amparado por um pára-quedas. Com dificuldade, machucando-me nas pedras, sujo e estropiado, consegui regressar à cidade, onde a minha primeira providência foi adquirir uma pistola.
Em casa, estendido na cama, levei a arma ao ouvido. Puxei o gatilho, à espera do estampido, a dor da bala penetrando na minha cabeça.
Não veio o disparo nem a morte: a máuser se transformara num lápis.
Rolei até o chão, soluçando. Eu, que podia criar outros seres, não encontrava meios de libertar-me da existência.
Uma frase que escutara por acaso, na rua, trouxe-me nova esperança de romper em definitivo com a vida. Ouvira de um homem triste que ser funcionário público era suicidar-se aos poucos.
Não me encontrava em condições de determinar qual a forma de suicídio que melhor me convinha: se lenta ou rápida. Por isso empreguei-me numa Secretaria de Estado.
1930, ano amargo. Foi mais longo que os posteriores à primeira manifestação que tive da minha existência, ante o espelho da Taberna Minhota.
Não morri, conforme esperava. Maiores foram as minhas aflições, maior o meu desconsolo.
Quando era mágico, pouco lidava com os homens -o palco me distanciava deles. Agora, obrigado a constante contato com meus semelhantes, necessitava compreendê-los, disfarçar a náusea que me causavam.
O pior é que, sendo diminuto meu serviço, via -me na contingência de permanecer à toa horas a fio. E o ócio levou -me à revolta contra a falta de um passado. Por que somente eu, entre todos os que viviam sob os meus olhos, não tinha alguma coisa para recordar? Os meus dias flutuavam confusos, mesclados com pobres recordações, pequeno saldo de três anos de vida.
O amor que me veio por uma funcionária, vizinha de mesa de trabalho, distraiu-me um pouco das minhas inquietações.
Distração momentânea. Cedo retornou o desassossego, debatia-me em incertezas. Como me declarar à minha colega? Se nunca fizera uma declaração de amor e não tivera sequer uma experiência sentimental!
1931 entrou triste, com ameaças de demissões coletivas na Secretaria e a recusa da datilógrafa em me aceitar. Ante o risco de ser demitido, procurei acautelar meus interesses. (Não me importava o emprego. Somente temia ficar longe da mulher que me rejeitara, mas cuja presença me era agora indispensável.)
Fui ao chefe da seção e lhe declarei que não podia ser dispensado, pois, tendo dez anos de casa, adquirira estabilidade no cargo.
Fitou-me por algum tempo em silêncio. Depois, fechando a cara, disse que estava atônito com meu cinismo. Jamais poderia esperar de alguém, com um ano de trabalho, ter a ousadia de afirmar que tinha dez.
Para lhe provar não ser leviana a minha atitude, procurei nos bolsos os documentos que comprovavam a lisura do meu procedimento. Estupefato, deles retirei apenas um papel amarrotado ? fragmento de um poema inspirado nos seios da datilógrafa.
Revolvi, ansioso, todos os bolsos e nada encontrei.
Tive que confessar minha derrota. Confiara demais na faculdade de fazer mágicas e ela fora anulada pela burocracia.
Hoje, sem os antigos e miraculosos dons de mago, não consigo abandonar a pior das ocupações humanas. Falta-me o amor da companheira de trabalho, a presença de amigos, o que me obriga a andar por lugares solitários. Sou visto muitas vezes procurando retirar com os dedos, do interior da roupa, qualquer coisa que ninguém enxerga, por mais que atente a vista.
Pensam que estou louco, principalmente quando atiro ao ar essas pequeninas coisas.
Tenho a impressão de que é uma andorinha a se desvencilhar das minhas mãos. Suspiro alto e fundo.
Não me conforta a ilusão. Serve somente para aumentar o arrependimento de não ter criado todo um mundo mágico.
Por instantes, imagino como seria maravilhoso arrancar do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, verdes. Encher a noite com fogos de artifício. Erguer o rosto para o céu e deixar que pelos meus lábios saísse o arco-íris. Um arco-íris que cobrisse a Terra de um extremo a outro. E os aplausos dos homens de cabelos brancos, das meigas criancinhas.
Descatraquizado por Abe às 13:02
Domingo, Abril 22, 2007
"O mundo é feio"
Mmbaraka-Mirim
Se teve alguma coisa que eu aprendi essa semana com o Pescador foi isso.O mundo é feio.Toda a magia das coisas simples que vivemos é isso, é mágica, e mágica é só um truque, é uma ilusão.A magia está na nossa mente, pq basta olhar ao nosso redor, que percebemos que o mundo é feio.Nada é facil pra ninguem.
Vejo esses jovens, o Abe, o Jóta, o Pescador, vejo eles e penso, caralho, fodam-se, o mundo é um moinho, vai reduzir seus sonhso tão mesquinhos, vai reduzir suas ilusões á pó.Essa ideologia toda, essa revolução, isso tudo é leviano, é falso, é sem futuro.Pintar o mundo com giz de cera não vai tornar ele mais colorido não, e colar penas na bunda nunca vai fazer vc uma galinha.Perdi amigos, familia, uma vida confortavel por causa de ideologias mentirosas, da era do psicodelismo desemfreado e agora sou um velho índio caduco e sem ninguem.
Ouça-me bem, Pescador, vc tá passando pelo que eu passei.No começo é a familia, depois vem os amigos, e depois vc acaba num barzinho qualquer sem ninguem, vc acaba sendo uma ancora em mar revolto.E assim não sai nenhuma ideia, vc fica preso, a revolução começa na cabeça.É isso, aquilo que todos os delinquentes procuram, aquilo que vem por dentro e transforma....
Não acredite em nada.Não leia nada.Não siga as revoluções orkuticionadas.Não seja sujo, não ande pelos esgotos.
Não acredite neles, eles tem boa comida, boa cama e boa escola, vcs não são ninguem.Vcs precisam crescer e descobrir o que realmente é importante na vida.
Diamante de Mendigo
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas/Oscar Rasmussen
Eu tive que perder minha família
Para perceber o benefício que ela me proporcionava
É triste aceitar esse engano
Quando já se esgotaram as
possibilidades
E agora sofro as atitudes que tomei
Por acreditar em verdades ignorantes
Que na época tomei acreditando
Numa moda passageira
Que se foi tal qual fumaça
Não respeitei o sacrifício
Que custa para construir
A fortaleza que se chama família
Acabamos no fim perdendo a
quem nos ama
Só por que o jornaleiro da esquina
Falou que é otário aquele que confia
E é tão difícil confiar em alguém
Quando a gente aceita se mentir, se mentir
Somente conhecendo a beleza da união
É que a gente tem a força
Para não, não se enganar
Eu que me achava um diamante
Nas mãos de mendigos
Só pelo medo de não sê-lo
Não respeitei o sacrifício
Que custa para construir
A fortaleza que se chama família
Acabamos no fim perdendo a quem nos ama
Só porque o jornaleiro da esquina
Falou que é otário aquele que confia
E é tão difícil confiar em alguém
Quando a gente aceita se mentir, se mentir
Somente conhecendo a beleza da união
É que a gente tem a força para
não, não se enganar
Eu que me achava um diamante
Nas mãos de mendigos, pelo
medo de não sê-lo
Eu que me achava um diamante
Nas mãos de mendigos
Pelo medo de não sê-lo...
É isso que eu sou um mendingo, um doido.Eu vejo meu fim qual vai ser e sinto medo, muito medo.Nem tupã, nem todos os cantigos da floresta, nada vai curar a dor e arrependimento de tudo que deixei pra tras por coisas que não me levaram á nada, que só me trouxeram prum barraco imundo, pra cachaça e desesperança.Tomem minhas dores pra vcs, meninos, e não cometam os mesmos erros do que eu.A evolução está aí.
Descatraquizado por Abe às 23:15
Sexta-feira, Abril 20, 2007
Pois é pessoal, os conceitos foram todos revistos.Estou sumido, morto, cansado.Tô trabalhando.
Não é algo que dê pra reclamar, em geral, passo a maior parte do tempo cantando no pensamento todo meu repertório musical e brincando que estou no ano 2276 e o leitor de barras é minha arma laser e o galpão é um cruzador espacial de quilometros de comprimento.Estamos pensando até em tirar um proveito disso, e criar uma história que se chamaria "Guia do Repositor da Galáxia", (talvez mudariamos o nome para evitar processos no futuro).Na verdade, o trampo é um saco e estou tocando tudo no foda-se mesmo, e não sei quanto tempo vai durar aquilo não.Provavelmente, mais tempo do que eu imagine.
a semana passa voando, a mochila está cada vez mais pesada.
O blog anda abandonado e faz dias que o Mmbaraka-Mirim ta enchendo o saco pra mim publicar um texto que ele escreveu, nesse fim de semana eu posto.Na verdade devia ter postado ontem, que foi dia do índio.Aquele velho escroto nem vai percebeu, imagino.Não sei escolher meus ídolos.
Estou pensando seriamente em entrar pra um mosteiro de monjes, eu troco minha "liberdade" e minha "vida sexual" por uma existencia sem trabalho e grandes preucupações.Preciso dar o fora daqui.Urgente.
Descatraquizado por Abe às 01:28
Terça-feira, Abril 03, 2007
*oddie fenomenal semi-cósmico:
Calling Elvis
Drive boy, dog boy...dity numb angel boy...era uma e meia da tarde quando me chamam no portão.Era um jovem herói da existência, dito cujo Pescador, com meio litro de vinho na mão(que ele achou na rua e achou um desperdício jogar fora) e roupas de poeta, me convidando pra ter a honra de sairmos fora daqui.Fui logo que terminamos o vinho e esperamos um outro náufrago, dito cujo Jóta, chegar.Com mais quatro litros de vinho.
A tarde estava linda, o sol brilhava e a vida fluía, não para nós, os marginais, que esperávamos bem mais que isso de um dia cósmico.Precisamos sair por aí cantando letras de resistência.E fomos.Primeira parada, posto Texaco onde o Pescador encontraria com sua mina.Não nos admiramos ao descobrir que a tal mina tinha um Astra 2006 prata, e tbm uns 35 anos na rosto.Meia hora, uvas, pastel, dinheiro e sexo oral depois, terminamos com a mina dele e agora era hora de beber mais pra encarar a mina do Jóta.E foi o que fizemos no caminho de ida...
Estava feliz, tudo corria bem, fizemos o córre do Pescador, e ele concordou em ir conosco fazer o córre pro Jóta, q ele acabara de conhecer.Só nos pedia para não deixarmos ele sozinho, até que seu celular toca e ele nos olha com cara de santo : "Aconteceu um imprevisto pessoal, tenho que ir...mas primeiro, vamos ali comprar uma vodka..."
Cara, acho que não era nem 14hrs ainda, e já estava tudo um grande carrossel.Pescador se foi, deixando eu e o Jóta a mercê da vida,e fomos na casa da mina que tinha esquema com Jóta.Fracasso total, não sei o que aconteceu, só sei que chamar a mina de galinha só pq ela não quer te beijar, acompanhado com se baita bafo de cachaça não ajudou muito.
Voltamos pro Rochdalle, bebendo obviamente e falando sobre a vida para todos os passageiros saberem "qualé que é a verdade das coisas"...Jóta foi pra casa tomar banho e pegar mais vinho, e eu só vim pra casa ver orkut, quando em quinze minutos já estávamos aqui para o ultimo rolê do dia, sair com as minas.E fomos ao nosso point.
Foi quando alguém puxa o baseado.Escreva-se aqui de passagem que nem eu nem o Jóta já fizemos isso, apesar de eu ter experimentado uma vez ou outra.Mas dessa vez o álcool falou mais alto e mandamos pra dentro.E foi até de boa, quando resolvemos levantar e voltar pro grupo...quando eu comecei a rir.E não parei mais.Ri ri ri ri ri...e já todos me olhavam estranho, Jóta começou a ficar com raiva por eu tá dando muita güela.E tudo virou de cabeça pra baixo, nada era real.Era um prazer indescritível.Lembrei de descer as escadas atrás do Jóta que tava puto comigo lá embaixo, e cada degrau tinha uns dez metros de altura...Foi quando as coisas complicaram e se tornaram pesadelo.
Fui caindo caindo até o chão, que não tinha fim...e eu fui afundando na terra, afundando...até que me puxaram pra cima, e era o Éle e o Jóta nervosicímos, sem saber o que tava acontecendo comigo...então, eu só conseguia pedir para que chamassem uma ambulância...e Jóta começou achar que era brincadeira de primeiro de abril.Me bateu e foi embora, deixando Éle e as meninas lá, preocupados, assustados.Como eu.No fim das contas, fui parar num leito do PS, com um coquetel de remédios entrando na minha veia e com a alucinação estranha dos mesmos remédios estarem saindo por outra.Muitas outras alucinações rolaram enquanto eu tava naquela cama, e uma semana depois, estava liberado e quase "normal" pra voltar pra casa.Descobri que ainda era dez horas da noite, e não dia 8 de abril como eu imaginava.
Descobri que eu sou o que tá melhorzinho, já que Éle e Jóta estão completamente quebrados até agora, o meu medo de ficar maluco foi meu castigo da mesma forma que a dor de cabeça é o deles....Vi quem eram meus amigos de verdade, quem não me abandonou quando eu mais precisei, gente que eu mal conheço e que não tinha obrigação nenhuma de ter ficado ali comigo.Senti o que significa dar valor à vida.
E mesmo não planejando repetir essa experiência tão cedo, confesso...foi uma das melhores da minha vida...
Descatraquizado por Abe às 20:07
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