Sexta-feira, Março 30, 2007

*Francis Harold Explica :
Nilmar


Existem poucas pessoas tão invisíveis quanto o Nilmar.Eu nem sei direito como começamos a ser amigos, e quando eu me tornei um dos poucos, ou unico, amigo que ele pode dizer que tem.Não seria uma surpresa.Nilmar é invisível.
Talvez seja algum trauma que eu nunca consegui arrancar, mas uma das principais caracteristica de sua invisibilidade é a total demonstração de falta de interesse por mulher.Eu sou contra homem que olha bunda de mulher na rua, e faz comentários quando está em roda de amigos, do tipo "nossa, que gostosa", só para afirmar sua sexualidade, mas, um homem de 21 anos, virgem, praticamente BV e que ainda diz coisas do tipo "desisti de mulher" já é exagero.E bota exagero nisso.
Além de invisivel, e hetero não-praticante, Nilmar é um vampiro.Por ser infeliz, Nilmar se sentew no direito de deixar as outras pessoas infelizes.Por isso, nosso colegas evitam de todas as maneiras ir na casa de Nilmar, pois sabem que sairam lá se sentindo literalmente um lixo.Pq Nilmar é um lixo, e quer que todos sejam como ele.
É um vampiro que suga sua energia, e mais, te torna um zumbi por algumas horas, até que alguma coisa boa lhe aconteça e vc saia daquele baixo astral todo.
Nilmar se sente um merda não pq ele seja inferior, muito pelo contrario.Ele se sente um merda pq ele se julga superior, porém, injustiçado por um mundo que nunca deu valor á sua genialidade, e por isso, sente uma inveja grotesca de todos ao seu redor, inclusive, os que se consideram amigos dele.Então, Nilmar sempre guarda comparações, para mostrar aos outros colegas como ele é superior a tal pessoa.Por exemplo.Nilmar é fanático por desenhar.Mas geralmente, as pessoas maiores de 7 anos não costumam admirar suas obras de arte.Como meus desenhos tbm são péssimos, e eu sempre suspeitei das intenções de Nilmar, que costuma pegar e guardar alguns desenhos meus.Com o temp, descobri que quando ele vai mostrar os seus para alguém, primeiro ele mostra os meus, o "artista fracassado", e logo em seguida mostra o seu.Dessa forma, ele pode mostrar onde eu errei e onde ele acertou, ou seja, como o dele é superior, ou no mínimo, como existem desenhos piores.E não é só em desenhos, em tudo que ele faz é assim, sempre comparando, sempre sugando, sempre.Até com mulher ele é assim.Ele guarda os recados das meninas do orkut, e depoimentos falsos, para mostrar como ele conhece meninas bonitas que gostam dele, como ele conhece meninas melhores que as que a gente fica, e é claro, fechando sempre com a célebre frase "eu só não cato pq eu não quero...".Mas é claro que isso não cola com a gente, seus amigos, que sabemos que ele desistiu de mulher completamente, até punheta é um taboo.Não por decisão própria, e sim por fracasso e orgulho.E assim ele continua tentando acertar seu alvo, as pessoas conhecidas que ele quer que acredite na sua vida falsa e na sua genialidade não compreendida.
E a vida continua, com pessoas assim, que vc convive por pena ou por conveniência.Ou pq a maioria das pessoas precisam ter alguem pior que vc, para poderem sentir-se melhores.Talvez eu sinta isso por ele.Talvez ele sinta isso por mim...


* Francis Harold é formado em psicologia e jornalismo pelo uniCEAGESP.É atual colunista do Oddie ao Leite.


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Quarta-feira, Março 21, 2007

A Volta Dos Trovões
Bráulio Tavares/Fuba


Um tambor amedrontou a mata
Quando o dia clareou
Na clareira respondeu a flauta
Um aviso de terror
Um cacique descobriu pegadas
De um estranho caçador
Uma tribo foi exterminada
Onde o rio avermelhou
Antes das chuvas
Quando um trovão tombou das estrelas
E a selva escura
Viu brilhar nas mãos de um deus
Armas de estrondo e luz
(Como avisou a lenda)
Armas de estrondo e luz
Onça negra caminhou nas cinzas
Da fogueira que passou
Gavião voando contra a brisa
Viu a mancha do trator
Sobre o chão onde os pajés dançavam
Uma vila se formou
Todo dia longe ressoava
O machado do lenhador
Dentro da selva
Ouçam os corações dos guerreiros
Esperando a noite
Em que os astros vão trazer
A volta dos trovões
(Como promete a lenda)
A volta dos trovões


Ontem eu fui ver o Mbaraka-Mirim.Há algumas semanas, conheci enquanto ele dava uma de pajé lá no largo de Osasco, e acabamos virando amigos.Mbaraka mora num barraco caindo aos pedaços, perto daqui.Sua casa cheira a incenso barato e cachaça de alambique, ambos encontrados cuidadosamente colocados em cima duma sapateira velha, sob um pano rendado com um rolo de fumo."É para espantar os maus espíritos", disse ele. Mbaraka continua sem me falar muito de sua vida.Sei apenas que ele não é nenhum militante pelos direitos dos índios, pela conservação da cultura nem nada.Ele parece ser apenas um velho cachaceiro, com algum tipo de síndrome quixotesca que encontramos nos mais virtuosos mendigos, mas Mbaraka não era nenhum mendigo."Nunca mendiguei essa cachaça...", dizia ele, exibindo seus três dentes superiores, sempre q eu o repreendia por beber tanto.O cara só conversa bebendo alguma coisa.E fica quieto o resto do tempo.
Falei sobre alguns planos, alguns amigos em decadência, sobre o auge da minha fama e em dar um tempo em algumas coisas.Falei sobre a grande viajem...

"Pois é Mbaraka, as coisas andam interessantes por aqui, mas isso me assusta...to com medo de ficar seduzido com essa vida boa e acabar acomodado...preciso cair fora."
"Pra onde vc vai ?" disse coçando a barriga e dando um grande gole na cachaça...
"Sempre planejei ir pro sul, mas ultimamente o nordeste ta me chamando mais atenção...mas, eu fico pensando...andar naquela estrada no calor..."
"E o que seus pais pensam disso ?"
"Bom, eles nem imaginam...mas eu penso muito, acho isso muito..."
"Egoísmo ?"
"É ! Eu me sinto muito egoísta em, sair fora assim, depois de tudo que eles fizeram para me dar oportunidades de ser alguém e etc..."
"Mas eu disse egoísmo da parte deles, de prender uma alma livre como a sua, Nuwanda..."

Mbaraka é um cara perigoso, preciso me manter afastado dele por uns dias...



descatraquizado por oddie às 14:05

Quarta-feira, Março 14, 2007

Direito de resposta : Brizola x Globo (15/03/94)
Muito foda, notem o desconforto do Cidão Moreira acostumado á lamber as bolas do Robertão Marinho:



" Cid Moreira, a voz do dono, a voz do Grande Irmão, a voz que surgiu do AI-5, voltou-se contra si mesma. Foi um daqueles momentos que servem como símbolos, como instantâneos da história. Cid Moreira falou, e falou e falou, contra Roberto Marinho. Foram três longos minutos, contra a Globo, no Jornal Nacional. O redator era Leonel Brizola, que ganhou direito de responder ao ataque que havia recebido do mesmo Jornal Nacional, que o chamou de senil.

Leia o desfecho e o texto na íntegra acessando
http://www.pdt.org.br/personalidades/bzjornac.asp "

"O Jornal Nacional ainda esboçou uma reação. Entrou em seguida anunciando que 'o Rio de Janeiro atravessa uma nova onda de violência', usando como desculpa um seqüestro do dia anterior. Não funcionou. Nada funcionaria. Não contra um instantâneo da história".




UpDate:
Bom pessoal, como eu geralmente nunca vou atrás de informações sobre os textos de outros autores que eu posto aqui, acabei cometendo um erro.Há algum tempo(18/02), postei aqui um texto chamado "Bunda Dura" que vem sido difundido na internet como sendo do Arnaldo Jabor, mas na verdade é da também colunista Ailin Aleixo.Eis um comentário da autora publicado na revista Vip:

"EU NÃO SOU O JABOR, NÃO!
Andam confundindo minha bunda com a do colunista do Estadão
Ailin Aleixo

Há meses um texto meu circula na internet como se fosse do Arnaldo Jabor. Ele já ficou tão puto com essa história de ser elogiado por algo que não é dele que escreveu duas crônicas no jornal O Estado de S. Paulo detonando o autor real do texto, que, na opinião dele, é uma baranga que tenta imitar seu estilo. Eu tentei contatá-lo de todas as formas para esclarecer a situação, mas o moço prefere xingar a se dignar a falar comigo... Então, só para desencargo de consciência, deixo aqui a prova de que "Ode à bunda dura" é meu e ninguém tasca."

...é isso aí...agradecimento á Ollie Mcgee, que me deu o toque.
Fonte : Autor Desconhecido.blogger
^.^


descatraquizado por oddie às 12:58

Terça-feira, Março 13, 2007

4 poemas

Para vcs terem o que ler durante a semana ^.^



Primeiro Poema - amor

era noite perfeita
o poeta mentiu
era esperança apenas
ele nunca existiu
era o dia certo
e o menino partiu
eram olhos, era vida
__________seus olhos
menina.

era só, era linda
minha Índia,
__________(menina).

um sorriso
entreguei
minha linda,
toda sol
sempre viva.
um sorriso,
só e seu
só minha.
Índia,
(menina).
__________era rápido
era a vida.





Segundo Poema - desprezo

"noite nua________crua
bronze e pele____repeli
vida flua________rua
simples, bela____cela
fria e séria"________ria

_ assim começaria
a emocionante história
de um pobre arlequim
que descobriu na luz da lua
todo brilho que perdi.

"noite - nua - bronze - pele
ja não és mais a jasmim
não importas quanto procures
nunca tereis ti junto a mim"

_ foi assim que terminou
o amor do nobre pierrô





Terceiro Poema - rancor

Tu és fria, tu não prestas;
machuca as pessoas que querem te ver feliz.

Tu és vazia, tu não serves;
ignora as pessoas que vivem por ti.

De todas que conheci, tu fostes a que me completaste;
de tudo que vivi, tu fostes a pior coisa que me aconteceu.





Quarto Poema - solidão

planto planta em terraço
de um prédio, areia e aço,
tão alto, sempre atento
a cidade, ao movimento.

e um simples capim,
lá embaixo no jardim,
vê em cima uma donzela :
é minha plantinha no terraço
se atirando ao espaço.

"sereis um dia, tão grande assim ?"

pobre capim daninho,
da plantinha deseja o carinho
esquecendo que quem é da terra
nunca o céu alcançará
e mesmo ali, entre tanto mato
para sempre estará

sozinho.




descatraquizado por oddie às 17:55

Quarta-feira, Março 07, 2007

Michel

Há muita gente cretina nesse mundo, mas poucas tão cretinas quanto Michel.Michel havia nascido com os pulsos e pernas retorcidos e atrofiados, sei lá como é o nome disso, só sei que era genético.E por causa disso, ou qualquer outro motivo, com alguns anos de vida, fora abandonado por sua mãe e criado por um anjo chamado Dona Carmem.
Ela fez de tudo por ele.Era meio idosa e solitária, não tinha filhos, nem família.Adotou aquele garotinho negro e deformado como se fosse seu filho, comprou-lhe uma cadeira de rodas muito massa, e desde que ele era pequeno, lutou com todas as forças para dar ao garoto as mesmas oportunidades de todos.Mas Michel era um cretino.
Entrou na escola particular e se juntou a outros cretinos fúteis, e Dona Carmem, que já se sacrificava para pagar o colégio, as cirurgias e os remédios de Michel, passou a se desdobrar para comprar as roupas de marca que Michel tanto insistia em pedir, cobrar e cobrar.E se ela não comprasse, Michel cuspia na cara dela onde quer que eles estivessem.Cagava na cadeira de rodas, e andava podre pela rua, forçando ela a limpá-lo.
Ele era podre e frágil, era um extorvo pra todo mundo.Obrigava Carmem a comprar tanta merda, que fez ela se endividar, e ele acabou vindo pra escola pública, onde o conheci.Nem ligava pra estudos nem porcaria nenhuma, estava até feliz, pois agora era o mais boy da escola com suas tralhas de marca.Tinha amigos pq pagava os lanches mais caros, e ele era um ótimo pretesto para cair fora da aula ou ir de graça em passeios : bastava usar a desculpa de que tinha que acompanha-lo.Todos ficavam em cima dele, o usavam, e ele sabia disso.Mas ele era cretino demais para se incomodar com isso.
Um dia eu queria ver um teatro que estava sendo apresentado na escola, mas não tinha dinheiro.Michel ia, então, segurei a cadeira de rodas e o empurrei até a sala do espetáculo, brigando com mais três que desejavam fazer a mesma coisa.Assisti a peça inteira, de graça.Quando terminou, Michel disse que precisava ir ao banheiro, então o levei, um pouco a contra gosto, já que tive que subir e descer umas três rampas para levá-lo.Mas o idiota não conseguia mijar sozinho, então tive que ajuda-lo, mas não me perguntem como.Saimos do banheiro e ficamos enconstados num muro, junto com algumas meninas, quando Michel começou a falar e falar, sobre Carmem, sobre o quanto ela é uma puta por não ter comprado o Nike Shox que ele queria, o Play 2 que na época era meio lançamento, e como seu computador era lento.E o quanto ela era uma puta.
Mas eu conhecia a Carmem, ela ia todos os dias, passava quase o dia inteiro com Michel, que a dispresava.Esqueci de dizer, que a deformidade impedia dele andar por aí com a cadeira sozinho, e enchia o saco de Carmem para que ela comprasse uma cadeira automática.E ela prometia que um dia ia comprar, um dia ia dar tudo para ele.Era um verdadeiro anjo entre os homens.
Michel era frágil, seus ossos eram quase de vidro.Decidi que não ia mais ficar ouvindo aquele cretino falar tanta merda, então resolvi leva-lo de volta pra sala, mas justo na primeira rampa, a cadeira "acidentalmente" foi indo pro lado, indo, indo, e ploft! , Michel caiu de cara e banha no chão, por cima do braço.Podem ter certeza que osso não é branco, é amarelo, e aquela fratura exposta foi a mais foda que eu já vi.
Michel se contorcia no chão feito um peixe fora d'água, até desmaiar, de dor ou sei lá.Não aconteceu nada comigo.Mas Michel ganhou uma cicatriz á mais em seu corpo frágil e podre.


descatraquizado por oddie às 20:01

Sexta-feira, Março 02, 2007

indigentes

Ontem eu era um fantasma na Avenida Paulista, e conheci um delinqüente chamado Klaus.
Klaus era um sujeito doido, que me disse assim que tudo é muita coisa, e eu contei sobre um dia em que um cara desmaiou no trem, quando estavamos chegando na Barra Funda.Mas ninguém o socorreu, ninguém tinha tempo.Estavamos com muita pressa: precisávamos sair correndo, atropelando uns aos outros, para conquistar um bom lugar na próxima loucomotiva.
Tudo rápido demais.Mas tudo é muita coisa.
Eu sei que esse blog tá muito chato e triste, mas eu preciso contar uma coisa que aconteceu ontem quando eu voltava para casa.
Por volta das 23:30, o trem destino Itaquera chegou, mas não abriu as portas.Acontece que um senhor indigente, que vestia uma calça e um sapato social (não sei o resto, pois só vi uma perna decepada), resolveu que a vida não valia a pena, resolveu se matar, estirando-se no trilho da plataforma 3 da Barra Funda.
Uma torcida organizada e vários outros torcedores, comemoravam no mesmo local a vitória do Timão contra Pirambu de 3 a 0.Ali também estava o senhor Antônio Jorge Alegre e a senhorita Amanda Beyer Guedes, que trocaram juras de amor eterno, assim que Jorge pediu Amanda em namoro, ali, na Barra Funda, um dos lugares mais românticos e bucólicos de toda metrópole.
E no meio disso tudo estava eu, um fantasma, que via rostos na multidão, rostos de amores esquecidos.
Então ele, um indigente que vestia uma calça e um sapato social, decidiu que a vida não valia a pena e resolveu se matar, gerando curiosidade, espanto e raiva em todos.
Eu mesmo vi uma perna e alguns órgãos, sem expressar nenhum sentimento de piedade ou campaixão humana.Até tentei tirar uma foto dos restos humanos, mas o segurança não deixou.Lá embaixo, eu pude ver outros seguranças tirando fotos com seus celulares.
Aproximadamente ás 23:50, já havia um trem nos esperando na plataforma 4 e todos nós fomos liberados daquela cena grotesca para podermos seguir em frente com nossas vidas.E o cara que eu nunca vou saber o nome, o rosto ou o motivo que o levou a se estirar no trilho continuo lá.Nunca saberei ao certo o que passou pela sua cabeça.
Um indigente que decidiu que a vida não valia a pena.Um garoto.
Eu queria estar ali perto dele, onde ele pulou.Eu queria poder ter percebido o que ele planejava, a tempo de salva-lo de si.Dizer a ele que tudo sofre no mundo, mas Nele tudo suporta, tudo passa.Mas eu não estava, mas eu não pude.
Eu só pude dedicar meus pensamentos á ele, na viajem de volta, e desejar do fundo do meu coração que onde quer ele esteja, encontre a paz e misericórdia que tanto precisa.Onde quer que ele esteje, nos perdoe.


"nada é facil de entender"


descatraquizado por oddie às 12:59

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Meu nome é Alíson Nuwanda, ou Oddie, como preferir. Tenho 19 anos e nenhum talento ou qualidade especial. Adoro cinema, trash, mpb, sexo, filosofia de quinta categoria
e bons livros. Não estudo e nem trabalho. Moro em Osasco-SP com meus pais, dois cachorros, dois gatos, um hammster, uma tartaruga, uma calopsita, dois piriquitos e uma irmã. E isso é tudo sobre mim.

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Oddie: definido por Garfield como "uma língua com olhos e patas".

ao: artigo definido (dativo).

Leite: formado por água, uma proteína principal, a caseína, uma gordura específica, a butirina e um açúcar também específico, a lactose.



















































É muito mais do que muito
Muito mais do que quantos anos todos piorei
É muito mais do que mata
Muito mais do que morrem todos pela planta do pé
É muito mais do que fera
Mais do que bicho quando quer procriar
Uma espécie, sementes da água, mistério da luz
É muito mais do que antes
Mais do que vinte anos multiplicar
Dividir a mentira
Entre cabelos, olhos e furacões
Inventar objetos
Pela esfinge quando era mulher
Ave de prata
Veneno de fogo
Vaga-lume do mar
O mar que se acaba na areia
Gemidos da terra apoiados no chão
Entre todos que usam os dentes do arpão
Apoiados em cada parede pela mão
Pela mão que criou tantas trevas e luz
e cada coisa perdida
Perdidamente pode se apaixonar
Pela última vida
Poucos amigos hão de te procurar
Como é o silêncio?
E nesse momento, tudo deve calar
numa história que venha do povo
O juízo final

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